Débora
Cezar
Adegundes
Maciel
Introdução
Com o
advento das Novas Tecnologias à educação, a sala de aula ganhou muitas ferramentas
capazes de ajudar o professor no seu exercício didático. Os computadores, por
exemplo, possibilitaram várias alternativas auxiliares no campo digital da
informação. Várias mídias foram concebidas como o disquete, o CD-ROM e o
DVD-ROM, com isto, melhorando de forma crescente a armazenagem de dados e a qualidade
do produto, destacando o som e a imagem nas mídias de comunicação. O antigo
vídeo VHS pôde se transformar em vídeo digital DV e ser assistido através de computadores.
Percebemos, portanto, boa perspectiva de trabalhar com o vídeo didático e
de forma mais refinada no trato das imagens, armazenagem e edição.
A chegada
dos microcomputadores e laboratórios de Informática nas Unidades Escolares
concretizou a Telemática, a
possibilidade da pesquisa à distância e com velocidade.
Nesta dimensão, Porque não resgatarmos a confecção do vídeo didático, agora
uma realidade digitalizável possível de ser um grande aliado da Informática
na construção de novas
ferramentas motivadoras da aprendizagem, e a tornar-se um grande instrumento de
trabalho – parceiro do professor?
Nosso aluno tem
acompanhado essa evolução e já se tornou cúmplice deste novo tempo e, por conta
disso, vem esperando do professor uma mudança de postura, de alternativas
motivadoras à aquisição do conhecimento.
Para acreditar em
projetos com inclusão do Vídeo Digital Interativo na escola, tem que objetivar
o desenvolvimento de práticas pedagógicas que visem à aproximação dessa escola
com a TV e a Internet. Para tanto, deve-se partir da seguinte hipótese: apesar de
ser a televisão o fenômeno cultural mais impressionante da história da humanidade,
é a prática para qual menos se prepara os cidadãos.
Diante disso, é
possível contextualizar uma pedagogia da comunicação que reconheça a realidade
atual do sistema educativo, profundamente marcado pelas novas tecnologias. Uma
pedagogia da comunicação que difunda e oriente produções audiovisuais
realizadas pelos próprios alunos; abordem a linguagem audiovisual a partir de
análises dos gêneros televisivos; facilitem o acesso de alunos e professores ao
ciberespaço, estimulando e despertando o interesse e a atenção dos alunos.
Pedagogia essa, capaz de desencadear ações em educadores interessados em formar
alunos críticos e ativos para os novos meios.
Dessa forma, acredita-se
perceber que as novas competências e habilidades para que sejam desenvolvidas
na produção do vídeo digital interativo, deve ser integrado às técnicas de
fotografia e vídeo digital na prática docente, produzir e editar material audiovisual
utilizando programas simples, com curta duração e de fácil acesso, conhecer as
etapas e procedimentos de desenho e elaboração de material audiovisual,
desenvolver projetos em multimídia baseados na aprendizagem interativa e
cooperativa.
Nessa perspectiva, o
vídeo didático que trata de conteúdos matemáticos tem atravessado décadas de
dificuldades na sua exposição em sala de aula. Segundo comentários, em debates
nas aulas de pós-graduação de Metodologia do Ensino Superior na UFRPE em
Recife: “falta capacitação profissional para executar metodologias desta
natureza, principalmente no Ensino Fundamental”.
Assim como afirma Sonia
Sette (1998 Apud VIEIRA, 2000, p. 9) “software é software, educativo
somos nós”, na mesma direção poder-se-ia afirmar que não existiria
vídeo-didático, mas aquele com matéria significativa, objetivos bem definidos e
mediador preparado em condições favoráveis para poder torná-lo didático ou
educativo.
Apresentar-se-ão, nesta
oportunidade, novas investigações experimentais, continuidade de um trabalho
iniciado com alunos do PROJOVEM (Programa Nacional de Inclusão de Jovens), no
qual se aplicou o vídeo “Por que Triângulos?” como ferramenta motivadora na
aprendizagem da Geometria (MACIEL, 2007). O objetivo, desta vez, foi verificar
como se comporta relativamente o rendimento dos alunos do Ensino Fundamental dos
6º ao 9º Anos (antigas 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries) com a prática de assistir o
mesmo vídeo motivador antes da aula tradicional de Triângulos – seus elementos
e suas classificações–, para aqueles que não o assistirão antes da aula
expositiva. Segundo o autor, o rendimento a mais dos sujeitos do PROJOVEM que
assistiram ao vídeo antes da aula tradicional, foi de 27,32%. Em relação à experiência
que se apresenta como fenomenológica e com o auxílio do um vídeo-motivador para
introduzir o conteúdo de Triângulos no Ensino Fundamental, tem a
intenção de mostrar a importância da propriedade de rigidez, particular
apenas em polígonos de três lados.
Como hipótese, foi
estimado um rendimento próximo dos 30% a mais, em relação àqueles que só
assistiram à aula tradicional.
Como é percebido, este
trabalho é destinado aos sujeitos dos Anos finais do Ensino Fundamental.
Objeto do vídeo
Com duração de 25
minutos, tem matéria produzida entre as cidades Recife e Olinda com a
participação de alunos da Escola Vasco da Gama. Pontos estratégicos foram registrados
como: cobertas do Aeroporto Internacional do Recife; Centro de Convenções de
Pernambuco; Parque de diversões – Mirabilândia; outdoor; passarelas; torres de
alta tensão; hipermercado, enfatizando as estruturas metálicas de pilares e
vigas em treliças articulares. Em laboratório da Escola, foi demonstrado o
efeito da propriedade de rigidez dos triângulos. Para tanto, foram observados
o octógono, o hexágono, o quadrado e o triângulo, nos quais foi aferido, após
uma força aplicada a um de seus lados ou vértices destes polígonos, o destaque do
triângulo como o único polígono a “resistir a essa força relativa” sem
deformá-lo.
O objetivo geral do vídeo foi de motivar
o aluno a estudar triângulos – por que estudar triângulos? – Especificamente,
destacar a propriedade de rigidez dos triângulos como fonte
motivacional dos estudos em relação aos outros polígonos; identificar situações
práticas aplicadas na Engenharia Civil à presença dos triângulos como fatores
de segurança ou estabilidade em estruturas metálicas.
Metodologia do
experimento
Este estudo foi
explorado pela exposição de cento e sessenta sujeitos do 6º ao 9º Anos do Ensino
Fundamental (quarenta de cada Ano), de uma Escola da Rede Municipal do Recife.
A sequência estratégica
esteve dividida em dois grupos paralelos: o primeiro grupo assistiu ao vídeo
(25min) + à aula tradicional (10min) + respondeu a um instrumento - teste
(<30min) composto de 38 (trinta e oito) itens. Vinte alunos de cada Ano (6º,
7º, 8º e 9º), escolhidos aleatoriamente; O segundo grupo formado pelos vinte
alunos restantes que não participaram do primeiro grupo assistiu à aula
tradicional (10min) + respondeu ao teste (<30min).
Todo vídeo didático
deve prevalecer à relação professor/exposição/aluno (SERNA, 2000). O vídeo didático
– Por que Triângulos? – foi mostrado com pausas oportunas ou convenientes,
quando solicitados pelos sujeitos ou pelo moderador a curtos debates; além disso,
esta mídia possui duas paradas (pausas) internas obrigatórias para reflexões; a
Propriedade
de Rigidez dos Triângulos, tratada no vídeo, foi enfatizada no
debate e até mesmo testada em sala de aula ao final da exposição. O metro do
pedreiro (escala) esteve como um objeto oportuno nos ensaios para a confecção
de alguns dos polígonos.
Como estratégias e
recursos, recomendou-se após a exposição do clipe e o debate, que o professor
continuasse à aula expositiva – Elementos e Classificação dos Triângulos –
como parte integrante obrigatória da aula (estimada em dez minutos). Nesta
aula, como estratégias do ensaio, não foi permitido que os sujeitos copiassem o
conteúdo exposto na lousa, pois a “absorção” do conhecimento deveria ser
processada apenas pela percepção visual e auditiva, ou seja, o registro escrito,
comumente processado pelo aluno em conteúdos expostos pelo professor na lousa,
neste ensaio foi aqui abolido.
O objeto do vídeo, como
já descrito, possui três capítulos, ou seja, duas pausas entre estes, para
reflexões, indagações, comentários, ou outros, favoráveis à interação com o
alunado. Durante o ensaio, no 1º capítulo, foi possível observar o
reconhecimento da coberta do Aeroporto Internacional dos Guararapes Gilberto
Freyre do Recife, como uma estrutura de muita beleza, complexa, exótica, mas
segura e arquitetada compilares e vigas sob a forma de treliças em alumínio, na
qual a presença de triângulos é enfática – nesta passagem, já foi informada a
presença da Propriedade de Rigidez dos triângulos para que tudo aquilo
fosse possível–. Na parte externa do edifício, uma torre de transmissão de
sinais foi avistada e percebida a presença de muitos triângulos em sua composição.
Logo após, visitou-se algumas torres de alta tensão na BR-101 Norte e
mostrou-se que seria importante a presença de triângulos em sua estrutura.
Nenhum sujeito hesitou perguntas neste capítulo. A concentração e apenas
comentários foram notados.
Nesta primeira pausa –
intervalo –, interações aconteceram entre plateia, mediador e o vídeo, a
importância dos triângulos no dia-a-dia. Muitos colocaram que não percebiam a
presença enfática deste polígono para manter a segurança dessas estruturas. Que
os lugares e as músicas de Chico Science apresentados na matéria “eram lindos”.
No segundo capítulo do vídeo, foi visitado o Centro de Convenções de Pernambuco
em Olinda. Sua coberta também foi à referência, pois a presença de grandes vãos
entre pilares necessitaram de estruturas “em treliças” – que comportassem
triângulos!
Prosseguindo, mostrou-se
uma passarela da Avenida Agamenon Magalhães-Recife, um outdoor que impunha
triângulos em sua base de sustentação (para evitar tombamento lateral), outra
coberta de um supermercado de região urbana do Recife, um guindaste em alto de
um edifício que servia de transporte de material de construção e, finalizando,
foi mostrada no “Parque de Diversão Mirabilândia”, a importância da segurança
dos brinquedos confeccionados com polígonos de três lados. As crianças
vibraram, com as imagens do Kamikaze e roda-giratória, com as músicas do CIA do
Calypso e o som ambiente do parque. Neste capítulo, o sujeito S14 perguntou se
“quando um dos ângulos do triângulo fosse muito aberto, se essa propriedade de
rigidez ainda seria válida?” – o que foi afirmado pelo mediador, sem dúvidas,
para o sujeito. Neste momento, o controle remoto foi acionado (parando o filme)
quando e sem problemas respondemos a todos.
Na segunda pausa –
intervalo – do vídeo, pudemos perceber que os sujeitos já se encontravam muito
mais convencidos com a importância dos triângulos em suas vidas. Nas
construções civis, os guindastes marcaram sua importância, mas em seus braços metálicos
deveriam estar presentes os triângulos. Os brinquedos que os levavam ao parque
de diversão necessitavam de segurança para que pudessem proporcionar alegria,
mas também a certeza de evitar acidentes nos momentos de lazer. Os triângulos
foram marcantes e incansáveis para que tudo e todos estivessem seguros a acidentes.
No terceiro capítulo,
com a participação de quatro alunos da mesma escola, mostrou-se uma
demonstração sucinta e simples da propriedade de rigidez dos triângulos. Ensaiaram
com a ajuda do “metro escala do pedreiro” na formação dos polígonos: octógono,
hexágono, quadrado e triângulo para que fosse aplicada uma força lateral e percebesse
que o único polígono que não se deformou foi o de três lados, fato singular,
diferentemente dos demais. Quando se finalizou os procedimentos no vídeo,
alguém declamando: “a Geometria sempre foi importante para a humanidade e os
triângulos puderam colaborar para tanto. Agora, podemos dar prosseguimento a
nossa aula de triângulos – seus elementos e sua classificação...”.
Complementando, deu-se
continuidade aos trabalhos com a aula tradicional (9min). Na lousa, foram
esquematizados triângulos e seus elementos: vértices, ângulos internos e
externos, lados e suas representações simbólicas; classificações dos triângulos
quanto aos ângulos e quanto aos lados. Não foram permitidos anotações ou
esquemas em cadernos, pelos alunos.
Logo após, foi aplicado
um instrumento composto de 38 questões, os quais dariam relativamente uma
informação com seus respectivos acertos, do rendimento proporcionado pelas
atividades repassadas.
Resultados
Nenhum sujeito declarou
ter assistido a um vídeo de matemática, logo, a novidade proporcionou um
momento muito significativo para o primeiro grupo. Os sujeitos de 6º e 7º Anos
obtiveram um rendimento a mais para os que não assistiram ao vídeo de 29,45% e
29,04% respectivamente. Figura 1 - Rendimento
(%) a mais em relação àqueles que não assistiram ao vídeo antes da aula tradicional.
Ainda deve-se recordar
que o rendimento a mais, proporcionado pelo vídeo aos alunos do PROJOVEM, em
Maciel (2007), foi de 27,32%, percentual bem próximo da média geral obtidas por
todas as turmas que participaram das atuais investigações (26,29%).
Imagens como do parque
de diversão, mostrando a presença incansável de triângulos a favor da
segurança, impressionou várias crianças, pois nunca imaginavam como a geometria
era importante no funcionamento daqueles brinquedos. O último capítulo do vídeo
mostrou os efeitos da propriedade de rigidez no triângulo e muitos sentiram que
precisavam testar com a prática também.
Proposta de Avaliação da
Aprendizagem
As avaliações propostas
nas práticas de sala da aula incluindo atividades com este material de vídeo deverá
ser do tipo “contínua”, principalmente observando a participação do
aluno nos debates e sequência dos trabalhos – aula expositiva–. Entretanto,
para a verificação do desempenho dos alunos em nossa experiência, propomos os
resultados observados no instrumento referente às informações expositivas pelo
professor na aula tradicional.
Considerações
Diante dos fatos e
comportamento dos sujeitos do evento que ora foi vivenciado, deixou a impressão
de que o tradicional já perdeu espaço para a construção do saber. Trabalhar com
projetos é caminho favorável de encontro às Novas Tecnologias. O Vídeo-Didático
deve ser tratado com a mesma importância – impõe planejamento–, interatividade
entre aluno/exposição/professor (SERNA, 2000), aplicá-lo à educação, aumenta
ainda mais a responsabilidade do mediador, pois este sem experiência pode
torná-lo inadequado em qualquer circunstância. Acrescente-se ainda, como dizia
Gadotti (1994, p.46): "a educação sendo essencialmente a transmissão de
valores, necessita do testemunho de valores em presença. Por isso, os meios de
comunicação e a tecnologia não podem substituir o professor".
Diante disso, não
devemos pensar que o vídeo didático, por mais poderoso que seja, substituirá o
professor em sala de aula. Servirá como ferramenta importante no processo de
ensino, acrescentará aos recursos didáticos no processo da aprendizagem do
aluno. Desencadeará alternativas audiovisuais motivadoras para a atenção e a
concentração no conteúdo, acelerará o processo cognitivo, nesta concentração,
evoluindo a uma aprendizagem significativa (AUSUBEL, 1978).
O vídeo “Por que
triângulos?” contextualizou o ensino da Geometria, mas também impressionou pela
sua característica de mostrar várias aplicações do cotidiano, inclusive a de
lazer das crianças – os triângulos impondo segurança aos movimentos da
“Roda-gigante” ou “Kamikaze” no parque de diversões. A adição de músicas e de lugares
bem atrativos pôde torná-lo motivador, capaz de fazer aumentar o rendimento dos
alunos, pela atenção dispensada, na aula tradicional. Dos resultados, pudemos concluir que no instrumento de 38 questões, quem assistiu
ao vídeo acertou, em média, 10 questões a mais em relação a quem não o
assistiu. Logo, percebemos que este material deva ser aproveitado em atividades
da Geometria como ferramenta estimulante da aprendizagem. Sim, Vídeo Didático
não existe, nós professores é quem o faremos ou não! Experimente a motivação e
o contexto em sua sala de aula.
Referências
AUSUBEL,
David P.; NOVAK, Joseph, D. & HANESIAN, Helen. Educational psychology: a
cognitive view. 2. ed. New York: Holt, Rinehart and Winston. 1978, 733p.
SERNA,
Manuel C.; RÍOS, J.M. (Coords.) Nuevas
Tecnologías aplicadas a las Didácticas especiales. Madrid: Pirámide. 2000, 175p.
GADOTTI, M. A escola e a pluralidade dos meios. Revista
Escola & Comunicação, Rio de Janeiro, FRM, n.6, 1994.
MACIEL, A. (2007). Vídeo – Por que Triângulos? Disponível
em: <http://www.servicos.sbpcnet.org.br/sbpc/59ra/senior/livroeletronico/resumos/R1086-1.html. Acesso em: 31 jul. 2008.
VIEIRA, Fábia Magali Santos. (2000). Avaliação de Software
Educativo: Reflexões para uma Análise Criteriosa. Disponível em:<http://edutec.net/Textos/Alia/MISC/edmagali2.htm.
Acesso em 31 jul. 2008.

Muito bom esse vídeo, mostra o quanto é possível tornar o ensino mais simples e prático com o uso inteligente da tecnologia, através de vídeos, mostrando que a matemática, as figuras geométricas e sua relação com os esforços sobre uma estrutura (No caso as treliças), tem uma estreita relação. que deixa muito mais claro para o estudante, a aplicação do seu cálculo matemático, dando um sentido prático e real, facilitando a assimilação do aprendizado por outros sentidos, o que não seriam evidenciados, apenas pelos cálculos em si.
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