quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

TRIÂNGULO: UMA FIGURA DIFERENTE NA SEGURANÇA DAS PESSOAS
Débora Cezar
Adegundes Maciel

Introdução
Com o advento das Novas Tecnologias à educação, a sala de aula ganhou muitas ferramentas capazes de ajudar o professor no seu exercício didático. Os computadores, por exemplo, possibilitaram várias alternativas auxiliares no campo digital da informação. Várias mídias foram concebidas como o disquete, o CD-ROM e o DVD-ROM, com isto, melhorando de forma crescente a armazenagem de dados e a qualidade do produto, destacando o som e a imagem nas mídias de comunicação. O antigo vídeo VHS pôde se transformar em vídeo digital DV e ser assistido através de computadores. Percebemos, portanto, boa perspectiva de trabalhar com o vídeo didático e de forma mais refinada no trato das imagens, armazenagem e edição.
A chegada dos microcomputadores e laboratórios de Informática nas Unidades Escolares concretizou a Telemática, a possibilidade da pesquisa à distância e com velocidade. Nesta dimensão, Porque não resgatarmos a confecção do vídeo didático, agora uma realidade digitalizável possível de ser um grande aliado da Informática
na construção de novas ferramentas motivadoras da aprendizagem, e a tornar-se um grande instrumento de trabalho – parceiro do professor?
Nosso aluno tem acompanhado essa evolução e já se tornou cúmplice deste novo tempo e, por conta disso, vem esperando do professor uma mudança de postura, de alternativas motivadoras à aquisição do conhecimento.
Para acreditar em projetos com inclusão do Vídeo Digital Interativo na escola, tem que objetivar o desenvolvimento de práticas pedagógicas que visem à aproximação dessa escola com a TV e a Internet. Para tanto, deve-se partir da seguinte hipótese: apesar de ser a televisão o fenômeno cultural mais impressionante da história da humanidade, é a prática para qual menos se prepara os cidadãos.
Diante disso, é possível contextualizar uma pedagogia da comunicação que reconheça a realidade atual do sistema educativo, profundamente marcado pelas novas tecnologias. Uma pedagogia da comunicação que difunda e oriente produções audiovisuais realizadas pelos próprios alunos; abordem a linguagem audiovisual a partir de análises dos gêneros televisivos; facilitem o acesso de alunos e professores ao ciberespaço, estimulando e despertando o interesse e a atenção dos alunos. Pedagogia essa, capaz de desencadear ações em educadores interessados em formar alunos críticos e ativos para os novos meios.
Dessa forma, acredita-se perceber que as novas competências e habilidades para que sejam desenvolvidas na produção do vídeo digital interativo, deve ser integrado às técnicas de fotografia e vídeo digital na prática docente, produzir e editar material audiovisual utilizando programas simples, com curta duração e de fácil acesso, conhecer as etapas e procedimentos de desenho e elaboração de material audiovisual, desenvolver projetos em multimídia baseados na aprendizagem interativa e cooperativa.
Nessa perspectiva, o vídeo didático que trata de conteúdos matemáticos tem atravessado décadas de dificuldades na sua exposição em sala de aula. Segundo comentários, em debates nas aulas de pós-graduação de Metodologia do Ensino Superior na UFRPE em Recife: “falta capacitação profissional para executar metodologias desta natureza, principalmente no Ensino Fundamental”.
Assim como afirma Sonia Sette (1998 Apud VIEIRA, 2000, p. 9) “software é software, educativo somos nós”, na mesma direção poder-se-ia afirmar que não existiria vídeo-didático, mas aquele com matéria significativa, objetivos bem definidos e mediador preparado em condições favoráveis para poder torná-lo didático ou educativo.
Apresentar-se-ão, nesta oportunidade, novas investigações experimentais, continuidade de um trabalho iniciado com alunos do PROJOVEM (Programa Nacional de Inclusão de Jovens), no qual se aplicou o vídeo “Por que Triângulos?” como ferramenta motivadora na aprendizagem da Geometria (MACIEL, 2007). O objetivo, desta vez, foi verificar como se comporta relativamente o rendimento dos alunos do Ensino Fundamental dos 6º ao 9º Anos (antigas 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries) com a prática de assistir o mesmo vídeo motivador antes da aula tradicional de Triângulos – seus elementos e suas classificações–, para aqueles que não o assistirão antes da aula expositiva. Segundo o autor, o rendimento a mais dos sujeitos do PROJOVEM que assistiram ao vídeo antes da aula tradicional, foi de 27,32%. Em relação à experiência que se apresenta como fenomenológica e com o auxílio do um vídeo-motivador para introduzir o conteúdo de Triângulos no Ensino Fundamental, tem a intenção de mostrar a importância da propriedade de rigidez, particular apenas em polígonos de três lados.
Como hipótese, foi estimado um rendimento próximo dos 30% a mais, em relação àqueles que só assistiram à aula tradicional.
Como é percebido, este trabalho é destinado aos sujeitos dos Anos finais do Ensino Fundamental.
Objeto do vídeo
Com duração de 25 minutos, tem matéria produzida entre as cidades Recife e Olinda com a participação de alunos da Escola Vasco da Gama. Pontos estratégicos foram registrados como: cobertas do Aeroporto Internacional do Recife; Centro de Convenções de Pernambuco; Parque de diversões – Mirabilândia; outdoor; passarelas; torres de alta tensão; hipermercado, enfatizando as estruturas metálicas de pilares e vigas em treliças articulares. Em laboratório da Escola, foi demonstrado o efeito da propriedade de rigidez dos triângulos. Para tanto, foram observados o octógono, o hexágono, o quadrado e o triângulo, nos quais foi aferido, após uma força aplicada a um de seus lados ou vértices destes polígonos, o destaque do triângulo como o único polígono a “resistir a essa força relativa” sem deformá-lo.
O objetivo geral do vídeo foi de motivar o aluno a estudar triângulos – por que estudar triângulos? – Especificamente, destacar a propriedade de rigidez dos triângulos como fonte motivacional dos estudos em relação aos outros polígonos; identificar situações práticas aplicadas na Engenharia Civil à presença dos triângulos como fatores de segurança ou estabilidade em estruturas metálicas.
Metodologia do experimento
Este estudo foi explorado pela exposição de cento e sessenta sujeitos do 6º ao 9º Anos do Ensino Fundamental (quarenta de cada Ano), de uma Escola da Rede Municipal do Recife.
A sequência estratégica esteve dividida em dois grupos paralelos: o primeiro grupo assistiu ao vídeo (25min) + à aula tradicional (10min) + respondeu a um instrumento - teste (<30min) composto de 38 (trinta e oito) itens. Vinte alunos de cada Ano (6º, 7º, 8º e 9º), escolhidos aleatoriamente; O segundo grupo formado pelos vinte alunos restantes que não participaram do primeiro grupo assistiu à aula tradicional (10min) + respondeu ao teste (<30min).
Todo vídeo didático deve prevalecer à relação professor/exposição/aluno (SERNA, 2000). O vídeo didático – Por que Triângulos? – foi mostrado com pausas oportunas ou convenientes, quando solicitados pelos sujeitos ou pelo moderador a curtos debates; além disso, esta mídia possui duas paradas (pausas) internas obrigatórias para reflexões; a Propriedade de Rigidez dos Triângulos, tratada no vídeo, foi enfatizada no debate e até mesmo testada em sala de aula ao final da exposição. O metro do pedreiro (escala) esteve como um objeto oportuno nos ensaios para a confecção de alguns dos polígonos.
Como estratégias e recursos, recomendou-se após a exposição do clipe e o debate, que o professor continuasse à aula expositiva – Elementos e Classificação dos Triângulos – como parte integrante obrigatória da aula (estimada em dez minutos). Nesta aula, como estratégias do ensaio, não foi permitido que os sujeitos copiassem o conteúdo exposto na lousa, pois a “absorção” do conhecimento deveria ser processada apenas pela percepção visual e auditiva, ou seja, o registro escrito, comumente processado pelo aluno em conteúdos expostos pelo professor na lousa, neste ensaio foi aqui abolido.
O objeto do vídeo, como já descrito, possui três capítulos, ou seja, duas pausas entre estes, para reflexões, indagações, comentários, ou outros, favoráveis à interação com o alunado. Durante o ensaio, no 1º capítulo, foi possível observar o reconhecimento da coberta do Aeroporto Internacional dos Guararapes Gilberto Freyre do Recife, como uma estrutura de muita beleza, complexa, exótica, mas segura e arquitetada compilares e vigas sob a forma de treliças em alumínio, na qual a presença de triângulos é enfática – nesta passagem, já foi informada a presença da Propriedade de Rigidez dos triângulos para que tudo aquilo fosse possível–. Na parte externa do edifício, uma torre de transmissão de sinais foi avistada e percebida a presença de muitos triângulos em sua composição. Logo após, visitou-se algumas torres de alta tensão na BR-101 Norte e mostrou-se que seria importante a presença de triângulos em sua estrutura. Nenhum sujeito hesitou perguntas neste capítulo. A concentração e apenas comentários foram notados.
Nesta primeira pausa – intervalo –, interações aconteceram entre plateia, mediador e o vídeo, a importância dos triângulos no dia-a-dia. Muitos colocaram que não percebiam a presença enfática deste polígono para manter a segurança dessas estruturas. Que os lugares e as músicas de Chico Science apresentados na matéria “eram lindos”. No segundo capítulo do vídeo, foi visitado o Centro de Convenções de Pernambuco em Olinda. Sua coberta também foi à referência, pois a presença de grandes vãos entre pilares necessitaram de estruturas “em treliças” – que comportassem triângulos!
Prosseguindo, mostrou-se uma passarela da Avenida Agamenon Magalhães-Recife, um outdoor que impunha triângulos em sua base de sustentação (para evitar tombamento lateral), outra coberta de um supermercado de região urbana do Recife, um guindaste em alto de um edifício que servia de transporte de material de construção e, finalizando, foi mostrada no “Parque de Diversão Mirabilândia”, a importância da segurança dos brinquedos confeccionados com polígonos de três lados. As crianças vibraram, com as imagens do Kamikaze e roda-giratória, com as músicas do CIA do Calypso e o som ambiente do parque. Neste capítulo, o sujeito S14 perguntou se “quando um dos ângulos do triângulo fosse muito aberto, se essa propriedade de rigidez ainda seria válida?” – o que foi afirmado pelo mediador, sem dúvidas, para o sujeito. Neste momento, o controle remoto foi acionado (parando o filme) quando e sem problemas respondemos a todos.
Na segunda pausa – intervalo – do vídeo, pudemos perceber que os sujeitos já se encontravam muito mais convencidos com a importância dos triângulos em suas vidas. Nas construções civis, os guindastes marcaram sua importância, mas em seus braços metálicos deveriam estar presentes os triângulos. Os brinquedos que os levavam ao parque de diversão necessitavam de segurança para que pudessem proporcionar alegria, mas também a certeza de evitar acidentes nos momentos de lazer. Os triângulos foram marcantes e incansáveis para que tudo e todos estivessem seguros a acidentes.
No terceiro capítulo, com a participação de quatro alunos da mesma escola, mostrou-se uma demonstração sucinta e simples da propriedade de rigidez dos triângulos. Ensaiaram com a ajuda do “metro escala do pedreiro” na formação dos polígonos: octógono, hexágono, quadrado e triângulo para que fosse aplicada uma força lateral e percebesse que o único polígono que não se deformou foi o de três lados, fato singular, diferentemente dos demais. Quando se finalizou os procedimentos no vídeo, alguém declamando: “a Geometria sempre foi importante para a humanidade e os triângulos puderam colaborar para tanto. Agora, podemos dar prosseguimento a nossa aula de triângulos – seus elementos e sua classificação...”.
Complementando, deu-se continuidade aos trabalhos com a aula tradicional (9min). Na lousa, foram esquematizados triângulos e seus elementos: vértices, ângulos internos e externos, lados e suas representações simbólicas; classificações dos triângulos quanto aos ângulos e quanto aos lados. Não foram permitidos anotações ou esquemas em cadernos, pelos alunos.
Logo após, foi aplicado um instrumento composto de 38 questões, os quais dariam relativamente uma informação com seus respectivos acertos, do rendimento proporcionado pelas atividades repassadas.
Resultados
Nenhum sujeito declarou ter assistido a um vídeo de matemática, logo, a novidade proporcionou um momento muito significativo para o primeiro grupo. Os sujeitos de 6º e 7º Anos obtiveram um rendimento a mais para os que não assistiram ao vídeo de 29,45% e 29,04% respectivamente.                                                                                                                                                           Figura 1 - Rendimento (%) a mais em relação àqueles que não assistiram  ao vídeo antes da aula tradicional.
Para os sujeitos dos 8º e 9º Anos foram de 20% e 26,65% os rendimentos a mais respectivamente.
Ainda deve-se recordar que o rendimento a mais, proporcionado pelo vídeo aos alunos do PROJOVEM, em Maciel (2007), foi de 27,32%, percentual bem próximo da média geral obtidas por todas as turmas que participaram das atuais investigações (26,29%).
Imagens como do parque de diversão, mostrando a presença incansável de triângulos a favor da segurança, impressionou várias crianças, pois nunca imaginavam como a geometria era importante no funcionamento daqueles brinquedos. O último capítulo do vídeo mostrou os efeitos da propriedade de rigidez no triângulo e muitos sentiram que precisavam testar com a prática também.
Proposta de Avaliação da Aprendizagem
As avaliações propostas nas práticas de sala da aula incluindo atividades com este material de vídeo deverá ser do tipo “contínua”, principalmente observando a participação do aluno nos debates e sequência dos trabalhos – aula expositiva–. Entretanto, para a verificação do desempenho dos alunos em nossa experiência, propomos os resultados observados no instrumento referente às informações expositivas pelo professor na aula tradicional.
Considerações
Diante dos fatos e comportamento dos sujeitos do evento que ora foi vivenciado, deixou a impressão de que o tradicional já perdeu espaço para a construção do saber. Trabalhar com projetos é caminho favorável de encontro às Novas Tecnologias. O Vídeo-Didático deve ser tratado com a mesma importância – impõe planejamento–, interatividade entre aluno/exposição/professor (SERNA, 2000), aplicá-lo à educação, aumenta ainda mais a responsabilidade do mediador, pois este sem experiência pode torná-lo inadequado em qualquer circunstância. Acrescente-se ainda, como dizia Gadotti (1994, p.46): "a educação sendo essencialmente a transmissão de valores, necessita do testemunho de valores em presença. Por isso, os meios de comunicação e a tecnologia não podem substituir o professor".
Diante disso, não devemos pensar que o vídeo didático, por mais poderoso que seja, substituirá o professor em sala de aula. Servirá como ferramenta importante no processo de ensino, acrescentará aos recursos didáticos no processo da aprendizagem do aluno. Desencadeará alternativas audiovisuais motivadoras para a atenção e a concentração no conteúdo, acelerará o processo cognitivo, nesta concentração, evoluindo a uma aprendizagem significativa (AUSUBEL, 1978).
O vídeo “Por que triângulos?” contextualizou o ensino da Geometria, mas também impressionou pela sua característica de mostrar várias aplicações do cotidiano, inclusive a de lazer das crianças – os triângulos impondo segurança aos movimentos da “Roda-gigante” ou “Kamikaze” no parque de diversões. A adição de músicas e de lugares bem atrativos pôde torná-lo motivador, capaz de fazer aumentar o rendimento dos alunos, pela atenção dispensada, na aula tradicional. Dos resultados, pudemos concluir que no instrumento de 38 questões, quem assistiu ao vídeo acertou, em média, 10 questões a mais em relação a quem não o assistiu. Logo, percebemos que este material deva ser aproveitado em atividades da Geometria como ferramenta estimulante da aprendizagem. Sim, Vídeo Didático não existe, nós professores é quem o faremos ou não! Experimente a motivação e o contexto em sua sala de aula.
Referências
AUSUBEL, David P.; NOVAK, Joseph, D. & HANESIAN, Helen. Educational psychology: a cognitive view. 2. ed. New York: Holt, Rinehart and Winston. 1978, 733p.
SERNA, Manuel C.; RÍOS, J.M. (Coords.) Nuevas Tecnologías aplicadas a las Didácticas especiales. Madrid: Pirámide. 2000, 175p.
GADOTTI, M. A escola e a pluralidade dos meios. Revista Escola & Comunicação, Rio de Janeiro, FRM, n.6, 1994.
MACIEL, A. (2007). Vídeo – Por que Triângulos? Disponível em: <http://www.servicos.sbpcnet.org.br/sbpc/59ra/senior/livroeletronico/resumos/R1086-1.html. Acesso em: 31 jul. 2008.
VIEIRA, Fábia Magali Santos. (2000). Avaliação de Software Educativo: Reflexões para uma Análise Criteriosa. Disponível em:<http://edutec.net/Textos/Alia/MISC/edmagali2.htm. Acesso em 31 jul. 2008.


Um comentário:

  1. Muito bom esse vídeo, mostra o quanto é possível tornar o ensino mais simples e prático com o uso inteligente da tecnologia, através de vídeos, mostrando que a matemática, as figuras geométricas e sua relação com os esforços sobre uma estrutura (No caso as treliças), tem uma estreita relação. que deixa muito mais claro para o estudante, a aplicação do seu cálculo matemático, dando um sentido prático e real, facilitando a assimilação do aprendizado por outros sentidos, o que não seriam evidenciados, apenas pelos cálculos em si.

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